FERNANDO DA COSTA QUINTAIS

 

Castelo de São Jorge. Portugal.

Nasceu em Lisboa, mas passou a sua infância em Fonte Arcada,
onde fez a instrução primária.

Continuou os seus estudos em Lisboa,
no Ateneu Comercial e Instituto Comercial de Lisboa,
termi-nando ali o Curso Complementar de Ciências Económicas.

Obteve a licenciatura em Engenharia Informática,
pelo ICL da Universidade de Londres.
Milita desde a juventude pelo Ideal da restauração da Monarquia
em Portugal, o que sempre consi-derou necessário e possível.

Como Presidente da Causa Monárquica
elaborou e publicou “O Livro do Mérito”, em 1994,
como contributo para a consolidação
do Ideal Monárquico da grande família portuguesa:

DEUS-PÁTRIA-REI

Possui, entre outras distinções,
o grau de cavaleiro da Real Ordem de Nª. Sª. da Conceição de Vila Viçosa.

A Partir de 2000 publicou os seguintes livros:
«A Fonte das Recordações», «Miss Jane, a Secretária de Indiana Jones»
, «Um Quintal em Lisboa» e o livro de versos «Ex-libris».


Outros textos encontram-se dispersos em publicações periódicas
e na Internet, onde mantém várias páginas de prosa e poesia:

Fonte Arcada

 

JANELA PARA UM OLHAR TEMPLÁRIO

 

Olhando por esta janela
de náutica cercadura,
onde o cordame se entrelaça
com fina graça e textura,
fico preso do estranho sortilégio
com que esta obra me abraça.

Que segredos encerra
Este misterioso lugar
Onde a História se cruza?

Minha mente voga e se entrega
ao voo exotérico da arte lusa,
tentando decifrar o mistério
que, em vão, antes de mim,
outros já tentaram e falharam.

Olho, de fora para dentro,
através desta janela
oclusa por fina veneziana,
coando a luz opalina
que ilumina a charola
(Arca do Tesouro Templário).

E é então que vejo,
num repentino pestanejar ático,
todo o esplendor desse recanto
iluminado pelo sol iniciático.

Aquilo não é só uma janela
por onde se olha o pátio de um mosteiro:
é o lugar iluminado,
de onde se vislumbra o mundo inteiro,
como castelo de proa de uma nau,
enfrentando o Mar
e o mistério do Mundo submerso.

O Cavaleiro do Templo,
que vai ao leme,
mirando o Mar,
mas nele não se embalando,
como Narciso,
- Príncipe de Avis,
de Cristo e do Mistério -,
arrancará ao Mar o seu segredo.
Dando ao Mundo um Novo Mar
para navegar
nas caravelas do Gama,
de Cabral e de Colombo.

Perdido o medo...
«Navegar, é preciso!»

Fernando Quintais

 

AS ÍNSUAS

 

Óh minha Pátria Turdetana,
meu Rio, minha Granja,
meus Quintais,
onde vivi meus sonhos de criança,
amei menina de tranças de oiro,
e comi os frutos dos laranjais.

Águas e ínsuas do meu Távora,
meninos nus,
picando barbos nos açudes,
enquanto no ar quente
que tudo abraça,
grilos e cigarras agitam asas,
como jograis tangem alaúdes.

Nas tardes de estio,
das ínsuas desertas,
sob as folhas pendentes
dos amiais,
bailam as saudades,
cantam os duendes,
choram as nereides,
nos areais.

 

VAGA FANTASIA...


No canto do meu casulo,
onde me acolho e enrolo
como bichinho de conta,
mal chegam os ecos do mundo.

O Sol, ao nascer,
entra pela fresta da janela
e vai caminhando até descer,
lá longe, no mar imenso,
profundo,
como a profundidade do meu ser.

E eu, que nada sou,
Que vejo o sol crescer
e morrer ao fim do dia,
sinto que sou o próprio mundo,
e alimento a vaga fantasia de viver.

 

A COR DOS DIAS

Fico às vezes a pensar
na cor dos dias
Como se os dias,
pudessem ter cor.
Quanta fantasia,
no simples acto de pensar
na cor dos dias!

Mas a fantasia corre;
e por mais que me esforce
em contê-la no seu leito,
começa-me a jorrar
da cabeça e do peito.
Não em sangue,
mas em fitas de papel,
a transformar-me em livro.

Tanto faz estar na Terra
Como em Marte:
para ela,
tudo quanto eu faça
é obra d´arte.

De noite é loira,
quando há luar,
de dia é morena
com olhos de mar.

Em tal fantasia,
Todo o esforço é vão.
Na minha alquimia,
o ouro é carvão.

Ser pássaro ou gente,
ou bicho-de-conta,
João ou Maria,
é de pouca monta.
O que é premente
é a fantasia.

Conhecer a dor
E o Amar também.
Viver é preciso,
passar o Bojador,
e navegar além.

Cumprir o meu fado,
são trabalhos meus.
Esconjurar o Diabo,
E ter fé em Deus.

 


SE, POR FELIZ ACASO...


Se, por feliz acaso,
encontro o verso
que preenche o vazio
destes dias de verão,
em que, dormente,
aparece uma mosca a zumbir,
e a interferir
com o meu processo,
de fazer poesia,
fazendo-me perder a rima
e a inspiração,
fico descontente.

Para um poeta, como eu,
fazer versos
não é, mesmo assim,
triste fadário;
pois se não surge a inspiração,
ao menos quebram
a monotonia,
os quartos que soam,
durante o dia,
no campanário da igreja ao lado.

 

NA SERRA QUEIMADA

A tarde vai caindo como a cinza
na serra queimada,
de verde vazia.
Enquanto, ao longe,
Corre a secura no silêncio do meu rio.

É sinistro o murmurar do vento,
Por entre os ramos dos eucaliptos.
As fontes secaram.

E da água só restam
as lágrimas escorrendo
dos olhos da Poesia.

O mal que daí vem ao mundo,
não é pior que a guerra da Bósnia,
e não é por isso que o Sol
deixa de nascer todos os dias
por detrás da serra queimada,
de verde vazia,
onde secaram as fontes
da poesia.

 


CHÁ DE VERSOS
(Receita para poetas melancólicos)

Ao Luís Quintais

Que estranha melancolia é esta
que de vez em quando me consome
e me obriga a fazer versos?

Em vão me interrogo,
e me desdobro em conjecturas,
procurando a resposta desejada.

Vivo em delírio passageiro,
resultado de doença mal curada,
sem por isso culpar o curandeiro,
que dela, o que sabe, é quase nada.

Quando me surge tal ânsia,
faço versos com húmidas palavras,
colhidas em quentes primaveras,
ainda dos prados orvalhadas,
que vou guardando em herbários,
entre folhas de papel.

E se me assaltam, por vários,
estes melancólicos tédios,
hipocondria, males de espírito
ou desconsolos,
tenho à mão um bom remédio:
faço um chá de verdes versos,
inconformes e bem tolos,
que consumo em abundância,
acompanhado com bolos,
bem barradinhos com mel.

Fica o espírito sossegado,
e em branco,
como a folha do papel.

Lisboa,
29 de Fevereiro, 2000

 

 

 

 


Mi libro de visitas

 

¡Envía esta página a tus amigos!

Tu nombre:
Tu e-mail:


E-mail de tu amigo:



.

 

volver